sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eita Piula!

Cravo canavial – Décimo Primeiro Encontro
Eita piula, como o tempo voa... chegamos ao nosso encontro de número onze. Estamos na reta final para a apresentação institucional do processo do cravo canavial para o crivo da entidade que quer saber se a Carla está fazendo o seu mestrado direitinho. (a Carla ta com os nervos “a flor da pele”... )
O ensaio começou um pouco depois das seis horas. Primeiro fizemos um alongamento individualmente para irmos acordando o corpo para o trabalho, em seguida a Carlinha colocou música e veio conduzir o aquecimento. O aquecimento da Carla sabe como é que é né... ela usa a música para nos conduzir e a gente nem percebe que tá cansando, também é um momento muito bom para dar unidade ao grupo, com as trocas de olhares e, com o suor, também de odores...    
Depois de aquecidos, fomos direto para o “esquentamento”, a fim de adequar os movimentos que já tínhamos em sincronia com a música que o Marcos gravou, repetimos algumas vezes até encontrar o tempo da música, o Zeca foi o mestre que conduziu a loa.
Em seguida, trabalhamos as matrizes individualmente junto com o personagem que devíamos encontrar que casasse com as matrizes que escolhemos, trabalhamos as matrizes coladas com o personagem escolhido por cada um de nós junto com um texto do mesmo, de modo que, pudéssemos recitar o texto junto com as três matrizes de cada “nicho” que escolhemos, com a finalidade de que pudéssemos fazer a imbricação de forma orgânica. A Carla observou a todos individualmente.
Depois repassamos todo o roteiro do processo para a apresentação do dia 19 se atentando e corrigindo cada detalhe, é um trabalho muito minucioso e repetitivo. É chato! Mas, é preciso. É (osso) do oficio...
Após repassar todo o roteiro para a apresentação ainda tínhamos um tempinho e então a Carla resolveu conversar com a gente sobre o planejamento e agendamento para 2012. A Carla nos falou da dimensão que o projeto ganhou com a aprovação no “Edital Miriam Muniz” e dos profissionais (mesmo os prováveis) que vamos ter a oportunidade de trabalhar, das apresentações, inclusive uma no engenho lá em Nazaré da Mata e dos ensaios semanais.

                                                                                                                                 Aldemar



                                                                                                            

Décimo Encontro Cravo do Canavial - UFRN



10!

Nesse último encontro, exatamente o nosso décimo encontro, conseguimos enxergar o processo como um todo e ter um olhar adiante do ainda tem por vir, o espetáculo. Acima de tudo, compreendemos e encontramos, em um único dia, os exercícios que costumávamos fazer.
            Foi um dia muito intenso, começamos como o de costume, alongando e depois Carla Martins começou a fazer um trabalho de Base bastante intenso com a gente. Pois, a base para um ator é fundamental, possibilitando equilíbrio, presença cênica, ampliando sua capacidade de realizar movimentos e de realizar a cena. Esse trabalho é um dos trabalhos base do pré-expressivo, dentro da mesma linha de trabalho, começamos a fazer o Jogo da Pantera, um jogo que além de trabalhar a base do ator, trabalha a atenção, concentração, foco, aguça a visão do ator, possibilita o controle do corpo dele, pois nesse jogo ao ator só se movimenta para atacar ou para defender.Logo depois, veio a Bola de Borracha, um exercício que trabalha as oposições, um exercício dentro da técinapré-expressiva que possibilita o ator descobrir seus limites e organizações funcionais de cada parte do seu corpo, além de possibilita uma maneira de ampliação de cada ação. Para sairmos dessa tensão e opondo-se totalmente a energia produzida nesse exercício, Carla pediu que fossemosuma folha de papel solta no espaço, livre, leves, com movimentação contínua.
            Depois desses exercícios de pré-expressividade, partimos para a expressão, estávamos com o nosso corpo pronto para construir e fomos trabalhar nas nossas matrizes, baseadas nos brincantes do Maracatu Rural Cambinda Brasileira-PE. Depois de todo preparo de construir, brincar, criar e codificar a matriz, estávamos bem. Esse trabalho está sendo muito prazeroso, afinal, todo o processo é nosso, estamos construindo juntos o que virá a ser um espetáculo.
            Logo após o trabalho com as matrizes, fomos estruturar o “espetáculo” que será apresentado neste mês de dezembro, todo o nosso trabalho durante esses messes vão está dentro do “espetáculo” que será uma mostra do que virá a ser o espetáculo em 2012.Estamos a cada dia, comungando ainda mais o nosso corpo em vida dentro do processo.
            Termino hoje, da mesma maneira que terminamos nesse décimo encontro:
  “Cravo, rosa, mel e flor
            Oo ô cravo do canavial
            Bagaço desse amor” 
                                                                                                             Tatiane Tenório

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Nono Encontro - Cravo do Canavial - UFRN


                            Os sons do Canavial !







Um(palma)-dois-tres-quatro, um(palma)-dois-tres-quatro, dois-dois-tres-quatro, três-dois-tres-quatro, quatro-dois-tres-quatro e um-dois(palma)-tres-quatro, (...)
Quando Carla disse que no nosso 9º encontro iríamos trabalhar a parte musical, confesso que imaginei exercícios de respiração, vocalizes, aprender uma letra e uma melodia e treinar sua execução com a marcação em cena. Mas desde o início, o encontro parecia ter calhado de querer nos “desacomodar”.
O trabalho que fizemos foi tão inesperado, como foram os próprios exercícios que punham em ação todos os nossos recursos mnêmicos, atencionais, táteis, auditivos, visuais e intuitivos... “ouvir com os olhos e ver com os ouvidos”, foram as palavras de Marco, o maestro, disposto a espremer até o bagaço da cana, os cérebros desses pobres cravinhos! Hahahahahah! Com a melhor das intenções de puxar nosso tapete quando mal estávamos começando a dominar o jogo!
Fizemos exercícios trabalhando a troca, o receber e entregar ao outro comprometendo todo o corpo, com o cuidado do olhar, dividindo a atenção entre o colega imediato e o coletivo. Incluímos nesses jogos a fotografia número 1 da nossa matriz escolhida, ativada e desativada no tempo de uma palma! Usamos números, sons, movimentos, pulos; incontáveis formas de jogar, com regras que mudavam a todo momento...
O desafio era aliar a tanta informação à precisão que ainda estamos construindo!
Descobrimos o pulso, o manter uma respiração coletiva que indicava o momento da ação; perdíamos, achávamos e nos perdíamos de novo! E descobríamos que, mesmo perdidos, o erro pode gerar um pulso novo que ainda é musical e que o importante é não se afundar em si ao se perder, mas buscar ajuda no grupo e não desistir, JAMÁS!
 O trabalho não foi fácil. Achei que estávamos todos um pouco cansados e a cada “parada”, conversas e risos tentavam tornar um pouco mais leve o trabalho ao mesmo tempo que acabavam dispersando um pouco o grupo. E enquanto isso o relógio do canavial corre sem paradas... depressa e cobrando: dia 19 está aí! Mas aí vem também o Myriam Muniz (êêêêêêêêêêêêêê!), estendendo nosso tempo de vida e ampliando as asas dos planos que já se vinham traçando... Mas voltando ao encontro, como descrevê-lo?
Quando penso nos exercícios que nos foram propostos nesse 9º dia de trabalho, me vem a palavra “malabarismo”! Qualquer coisa que busque tornar natural o “chupar cana e assoviar”... fazendo do cantar e o atuar uma coisa só. Como deve ser. Já nos dizia Carla, láááááá nos primórdios, quando o cravo ainda era semente em barro seco e sem vida: VOZ É CORPO!!
Acho que hoje, o desafio foi colocar esse corpo por inteiro. O corpo de cada um e o corpo coletivo. E que para isso, é preciso abrir os sentidos, ouvir, ver, sentir o pulso da cena, estar de prontidão para mantê-lo, com precisão, para receber e dar, comprometendo todo o corpo, buscando ajuda no grupo quando há problemas... e verdade seja dita, tivemos MUITOS problemas! Hahahaha! Era palma na hora errada, mimese que não saía, som e movimento desencontrado, 4 pulinhos? Vira no 8?, um-dois-dois-tres....AHHHHHH!... Algumas tragédias depois, ainda vale a lição final: não desistir, JAMAIS! O jogo só termina, quando acaba. E a música está só começando a tocar...
Evoé pra nós! Vamos lá... um(palma)-dois-tres-quatro, um(palma)-dois-tres-quatro, dois-dois-tres-quatro, três-dois-tres-quatro, quatro-dois-tres-quatro e um-dois(palma)-tres-quatro, (...)
Andressa Hazboun

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cravo Do Canavial - Selecionado para o Myriam Muniz!

Evoé!

Os  Deuses do Teatro conspiraram a favor dos Cravos desse Canavial...
Maracatu Rural, Mimese Corpórea, Engenho do Cumbe, Cambinda Brasileira, Matrizes!

Raquel Scotti e Pedro Salustiano.
Carla Martins, Robson Haderchpeck e Marco França.
João Marcelino e Rogério Ferraz.
        Andressa, Rodrigo, Aldemar, Zeca, Vania, Potyra, Thais,Tatiane e George.


Nós, FulÔrando no Barro Avermelhado.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Oitavo Encontro - Cravo do Canavial

O nosso encontro sempre começa com um “Olá cravinhos!”
Mas que bela maneira de iniciarmos um encontro...

Desde que entrei nesse processo me sinto como se o respirasse em momento que nem espero.

Sempre lembramos de carregar carinhosamente nossos objetos de trabalho que me soam como membros de nossas matrizes.

Lenço cabeça, saia, bacia, copo de cachaça, adereço clown.

Penso em tudo isso e me lembro: putz esqueci da loa do mestre.

Falo sobre tudo isso, mas o importante mesmo, é falar sobre o dia 16/11/2011. O nosso encontro resultou na divisão do nosso roteiro que contem 12 momentos. Hoje passamos por esses 12 momentos,mas não exatamente na mesma ordem. Cheguei um pouco atrasada e perdi o esquentamento, mas pude participar do seguimento do encontro.

Assim que cheguei vesti meu lenço e fui ao X para falar sobre idéias para cenografia que tive a tarde com o Paul. Essas idéias envolvem transparência e possibilita o uso de projeções e luzes.

Em seguida iniciamos o trabalho com a matriz de nossa escolha. Potyra trabalhou com as imagens da burrinha, Aldemar trabalhou com as da catita, Andressa e Vania com as da dama do paço e George e eu trabalhamos a matriz do caboclo de lança.  

O trabalho com a matriz do caboclo de lança consistiu na montagem de uma partitura. Já o trabalho com as outras matrizes explorou a passagem de uma imagem para outra. As imagens dos caboclos de lança serão trabalhadas no próximo encontro. Demarcamos a sala, com isso iniciamos o pensamento sobre o espaço cênico. A Rasa Box foi inclusa no trabalho de hoje, sorteamos 4 estados: o medo, a raiva, o cansaço e a alegria. As Rasa Box foram distribuídas pela sala, demarcada com fita no chão. 

Após esse trabalho iniciamos a sequencia do roteiro;

1º Ritual de proteção: sentados, vestimos o lenço do caboclo de lança. Utilizamos nossos adereços nesse momento.

2º O mestre: destaca-se a frente (O mestre é apontado no dia).

3º O esquentamento: mestre canta a sua loa, integra ao grupo e executamos a coreografia.

4º O banco: tema musical (definiremos no próximo encontro).

5º Apresentação das matrizes: apresentamos nossas matrizes de maneira rápida, lenta, alargada e diminuta (caboclos de lança executam a partitura).

6º Primeiro mote do baixio das bestas: inicia-se com a movimentação de George lenta.
7º X da Potira: foi definido no momento. Ela deverá cantar. Entrei no X e sugeri a musica “Tango de Nancy” de Chico Buarque. Achamos que encaixou perfeitamente.

8º Saudação a jurema: a parte do grupo que criou sua saudação a inicia. Os que não criaram farão a sonoplastia.

9º Rasa Box: Vania e Andressa entram na Rasa Box do cansaço e da raiva, depois trocam, Vania para a do cansaço e Andresa para a do medo. Inicia-se a ação de George que é interrompida pelo texto da Vania.      

10º Espinhaço: George executa sua partitura do espinhaço.

11º Segundo mote do baixio: são executadas as criações paro o baixio. Ruído, as putas, o leite. Aldemar e George entram na Rasa Box da raiva.

12º Entrada da Burrinha: Potyra entra brincando em sua matriz da burrinha.


Por fim foi isso.
Se esqueci algo, por favor, me complemente.

Beijos a todos!

Thaís



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sétimo Encontro Cravo do Canavial - UFRN

Alguns Cravos pelo Caminho...
Não se pode dizer que este foi um encontro fácil. Para mim, especialmente, pois estava muito cansado da semana que tive. Ainda antes de começar o trabalho, Carla contou que Leilane não iria continuar no processo. Logo depois, a própria Leilane chegou e nos falou. Um momento triste. Queríamos que ela continuasse o trabalho, mas a saída dela foi bonita, compartilhada com o carinho de todos. Resultou que ela vai continuar próxima, trabalhando no blog do projeto. Iniciado o trabalho, fizemos o trabalho com as periferias do corpo, como vínhamos fazendo nos encontros anteriores. Em seguida, fizemos um trabalho energético com base na figura dos caboclos de lança, e possivelmente este foi o momento mais prazeroso para mim em todo o encontro. Brincamos livremente com os paus que levamos ao som de maracatu. Um momento para o corpo se libertar, brincar.
E passamos ao trabalho com o mestre, com a coreografia que estávamos ensaiando, o esquentamento. Na semana anterior não tivemos encontro por causa do feriado. E sentimos isso nesse encontro, perdemos muito da coreografia do mestre, ainda que tenhamos conseguido recuperar com alguma facilidade.
Finalmente passamos para o trabalho da mimese. Desta vez a figura foi a Catita. Como nos encontros anteriores estudamos as fotos, trouxemos para o nosso corpo as posições, construímos os punctos, as equivalências... tudo isso usando as saias levadas.
Então, em semicírculo, passamos a apresentar todas as figuras trabalhadas, uma por uma, cada um de nós, num exercício difícil e cansativo. Buscar todo o trabalho no nosso corpo, a história do que construímos... Alguns momentos mais frágeis, outros de força... foi a primeira vez que paramos para olhar o trabalho dos colegas, o que foi muito bacana, pois existiam belas construções.
Um pensamento colocado por Carla sobre a mimese foi o da importância da observação dos detalhes. Perceber cada posição de cada parte do corpo das imagens e trazer isso para o nosso corpo.
Algumas vezes não consigo lembrar todos os detalhes. Alguns trabalhos me fogem... momentos em que é muito difícil manter o corpo na posição da figura e ao mesmo tempo sentir uma energia, uma vida, no corpo, sem que tudo pareça tão mecânico. Sinto como se minha atenção estivesse transitando o tempo todo entre a forma e as sensações despertadas. E enfrentando a dificuldade de caminhar com ambas. 
Então, pausa. E encontramos o X colocado na sala. Desta vez, o X não estava no canto da sala. Mas no centro. E agora tínhamos que ir a ele ao comando de Carla. Falar o que vier, viver o que vier. Estava cansado, briguei comigo mesmo e com o cansaço. Mas as primeiras vezes foram de raiva em ter de me mostrar. Não queria estar ali. Em algum momento quase me entrego. Até que na última vez me permito brincar, e algum prazer aparece... e encontro algo em mim que estava hesitante...
Mas restava ainda a última figura que iríamos trabalhar, o Caboclo de Lança. Este teve um processo diferente. Não partimos de imagens, partimos de dentro. Fizemos uma leitura, particular, da pesquisa sobre o azougue e usando lenços na cabeça, buscamos uma figura interna, esse caboclo internamente. Algo difícil de construir, senti muito dificuldade de acessar essa figura. Para mim, foi a figura mais impalpável. Não consegui lembrar do início do encontro, do prazer que tive ao brincar de caboclo. Talvez tenha me faltado trazer a brincadeira para esse momento.
Finalmente, finalmente, passamos ao trabalho do Baixio das Bestas. A cena que estamos fazendo com base na energia do filme. Algumas marcações estão ficando mais claras, algumas adaptações feitas... e a cena continua. Sem Leilane desta vez, minha parceira mais próxima de cena. Mas construindo uma nova relação com Andressa, que com toda a bravura busca o trabalho.
Terminamos aquele dia, passando a música escrita por Vânia. Mostrando o que tínhamos para Marco França que vai fazer um trabalho musical conosco. Com isso tudo, nem tivemos tempo para fazermos as anotações do dia... muita coisa feita.
Ah, tivemos ainda mais uma despedida, Paul, que já havia anunciado sua saída, mas apareceu para se despedir da gente. Mais uma despedida. Foi, realmente, um encontro difícil. De despedidas, mas também de continuidade. E de muito trabalho. Como a vida.
George Rocha Holanda

domingo, 13 de novembro de 2011

Qual a Matriz?

Chegou o momento de saber que "nicho" cada ator vai trabalhar.
A escolha será dos atores...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A Embriaguez de Duas Novas Matrizes - Sexto Encontro Cravo do Canavial / UFRN




As cabeças que giram por dentro em espiral. Os órgãos que pulsam irrigados pelo líquido vermelho. Sinto náuseas, tento controlar... Não sei por que.
Na dúvida me deixo levar. Entro no universo da embriaguez, cambaleante pela sala agora, toda bêbada. No jogo das matrizes, a burrinha chegou primeiro, com sorriso contagiante de quem está tirando uma onda.
A primeira impressão é que o sorriso era tenso. Mas analisando o resto da postura corporal, é um sorriso relaxado. A tensão foi minha, na hora da mimese. Chegou a hora dos clowns.
Carla nos pediu para inverter nossas características, momento difícil. Confusão total! Se já não tenho, ou tinha, até então claro o meu clown, o exercício serviu para reafirmar a mania de limpeza como a principal característica. Ou a sujeira. Continuo confusa.
Para melhorar um pouquinho, Carla nos apresenta Mateus, que até agora foi a matriz mais difícil. Principalmente porque tivemos que mesclar com o nosso clown, e com o nosso clown invertido.
Aí sim. É Mateus, é clown, é burrinha, é resgate da dama do paço, clown invertido, saudação à Jurema (só de pensar nisso dói a perna, coitadinho do meu cotovelo, dói até a alma), entra o mestre e todo aquele esquentamento, passo pra um lado, pro outro, rodopio, ufa!
E quando você pensa que já deu tudo, vêm as cenas do Baixio – que diante de tudo isso, atualmente, é meu momento de relaxamento. Por incrível que pareça.
Mas é relaxamento corporal, gente. Porque por dentro, os órgãos estão em espiral, como no inicio do trabalho, só que agora não é só a cabeça. O corpo todo é o próprio espiral. Um espiral de felicidade, de saber que textos, músicas que criei, estão sendo aproveitadas nas cenas.
Me orgulho de ser um dos cravinhos desse canavial de lindíssimos cravos.

                                                                                                                                Vânia Bertoldo

sábado, 22 de outubro de 2011

Ritual: Cravos que dançam e interagem e geram experiências sensíveis

Relato do Quinto Encontro do Cravo do Canavial - UFRN




Calunga de Cera.
 

A Matriz - Dama do Paço


Etapa da Observação


Mimese Corpórea - Matriz Dama Paço

O quinto encontro de trabalho do projeto Cravo do Canavial foi dividido a partir de três motes de criação: Ritual de saudação à Jurema, Esquentamento, Baixio das Bestas.
Iniciamos a primeira parte do trabalho deitados no chão, com o corpo alinhado e as palmas das mãos viradas para o chão. Trabalhamos com a imagem do barro vermelho. O barro seco, mas que quer ganhar vida, se tornar frutífero, ser expressividade. A metáfora do barro pode ser entendida como nosso corpo, nossos sentimentos mais íntimo, nossas memórias, nossa pulsão de vida.
Cada vez que Carla batia palma, congelava no movimento e tentávamos compreender e armazenar corporalmente as imagens. Ao total foram cinco imagens codificadas, que foram se transformando em uma dança pessoal, dança das nossas memórias advinhas da imagem barro vermelho ressecado. 
Estimulados pela condução, fomos inserindo em nossa dança melodias, sussurros, gemidos e sorrisos.  Esse trabalho resultou na criação de uma sequência pessoal que se desencadeou na Saudação à Jurema. Esse momento pode ser considerado com um ritual que nos lançou para uma dimensão mais profunda com nosso trabalho, nos deparando conosco mesmos na busca do momento sagrado individualcoletivo na arte, estabelecendo contato com energias mais íntimas e primitivas.
Após o término de experimentação da dança pessoal-primitiva, Carla colocou no centro da sala uma fotografia da Calunga e pediu que nos reuníssemos em torno da foto. Ficamos olhando os mínimos detalhes e as impressões que ela repercutia em nosso corpo, em nossa memória muscular-ancestral.
Pegamos nossas anotações sobre a jurema e líamos, incorporando a imagem vista ao conceito pesquisado. Ao final dessa experiência, Carla pediu para que cada um criasse uma saudação em primeira pessoa para a sua Jurema (religião que cultua mestres e caboclos). Após a criação da saudação, cada uma dos participantes ia para o meio da sala, fazia seu ritual e no final dizia a sua saudação.
Depois do ritual de saudação à Jurema, demos início ao trabalho da Mímese Corpórea, que se fundamenta na minuciosa observação, codificação e teatralização de ações físicas e vocais de pessoas, animais e imagens estanques (fotografias e quadros). Foi o primeiro encontro em que adentramos no universo da mimese corpórea. Carla colocou uma sequência de cinco imagens da Dama do Paço, figura do Maracatu Rural na sala e ficamos olhando as imagens, e deixando que elas nos seduzisse e tocassem  nosso íntimo. Nesse momento você não escolhe a foto, mas ela te escolhe para viver seu universo. Quando todos haviam selecionado uma foto, ficamos por um bom tempo observando e em contato com a imagem, percebendo os pequenos detalhes, como por exemplo, estavam direcionadas as mãos, os olhos, o sorriso etc. Reproduzimos fisicamente a imagem, procurando ser o mais fiel possível à foto, recriando a corporeidade observada no nosso corpo, ainda que de forma mecânica.
Experimentamos aos poucos andar com a figura, mas algumas vezes era preciso retornar à imagem original para checar os detalhes. Na experimentação, descobrimos formas de ligar e desligar a figura em nosso corpo através dos punctums, que pode ser entendido como pequenos detalhes da ação que quando ativados remetem matriz, ou seja, pontos de ativação corpóreos que permitem retomar a imagem como um todo. Experimentamos também fazer nosso ritual pessoal de saudação à Jurema e depois adentrar na mimese da Dama do Paço.
Na segunda parte da aula, retomamos as sequências codificadas nas aulas anteriores. Percebi que já temos propriedade de trabalhar com esses materiais, por isso, o trabalho fica cada vez mais fluido, mais dinâmico, mais prazeroso. Essas sequências individuais, ao se relacionarem, como foi proposto nesse encontro, ganharam outro significado, outros sentidos, e pequeno detalhes, olhares, contatos com o outro faziam com que elas fossem possibilitando esquemas dramatúrgicos não intencionalizados, mas que emergiam a partir do jogo, da relação estabelecida com o outro. O que poderíamos intitular de processo de afetação: quando o intérprete sai da sua órbita e se permite navegar na órbita do outro e dançar seu ritmo sem se anular. Nesse jogo, emerge uma terceira ação que nem eu nem ele sabemos ainda, mas que futuramente, a partir do ensaio, revelará uma pedra preciosa. Assim, ficou combinado que cada dupla iria experimentar novas formas de organizar dramaturgicamente a sua sequência.
          A terceira parte do trabalho foi destinada tanto ao esquentamento como à cena do Baixio das Bestas. Aprendemos uma sequência de movimento do Maracatu Rural que será nosso esquentamento durante todo o processo criativo. A figura do mestre no nosso esquentamento é de fundamental importância, pois ele coordenará toda a brincadeira. Em nosso processo, essa figura será representada em cada encontro, por um dos atores que coordenará o esquentamento e cantará uma loa.
Partimos do esquentamento e das sequências individuais “O carro não pode andar na frente dos boi”, para se desdobrar na cena coletiva de Baixio das Bestas. Essa cena a cada dia vem ganhando novas dimensões, se ressignificando a cada vez que a vivenciamos, possibilitando territórios poéticos para o ator criador. No encontro de hoje, uma das atrizes produziu um texto “poético-viceral” que deu outro sentido à cena do Baixio. Esse texto ora era narrado pela atriz, ora tinha fragmentos pronunciados por outra atriz, que com outro ator executava uma ação, gerando novas poéticas da cena.
Portanto, o processo criativo do Cravo Canavial tem se mostrado revelador, uma vez que, a cada novo encontro, o trabalho é redimensionado a partir da experiência pessoal de cada intérprete, delineando uma singular poética de criação. São corpos que interagem e geram experiências no âmbito sensível.


Rodrigo Severo








quinta-feira, 20 de outubro de 2011

FULÔRANDO...





"Era um caminho quase sem pegadas
onde tantas madrugadas folhas serenaram
Era uma estrada muitas curvas tortas
quantas passagens e portas ali se ocultaram
Era uma linha sem começo e fim
e as flores desse jardim meus avós plantaram."

(Siba e a Fuloresta - Música: Vale do Jucá)


 

Cientec / UFRN - 2011

Os Princípios do Cravo aplicados em Oficina para Professores da Rede Pública de Ensino.


A Matriz


O Lugar


Dinâmica Caboclos de Lança

A Turma

Raza Box

Partituras em Jogo

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Quarto Encontro - Cravo do Canavial (UFRN)

O caminho do Cravo Canavial se abre cada vez mais nos passos que vamos dando, nas vozes e nos corpos que colocamos à disposição, nesse processo. A cada encontro, sinto que o grupo se apropria cada vez mais desse universo denso e misterioso do Maracatu (com "M" maiúsculo, sim!) e, ao mesmo tempo, descobre que sua vastidão ultrapassa os limites do nosso alcance.

Um novo espaço (a casa de Zeca) foi nosso locus de trabalho, dessa vez. Alongados e aquecidos depois de um "tica-caranguejo", fomos às partituras corporais e aos passos que estivemos trabalhando individualmente e em grupos. Logo, essas partituras foram se tornando cada vez menos abstratas e, sob a agulha de Carla, começaram a se costurar umas nas outras. A conexão entre os grupos gerou o esboço de uma cena coletiva que culminava na briga entre os caboclos de lança por ocasião, George e Aldemar, e fechava com chave de ouro na voz de Vânia "perversidade nos canaviais...".

Perversidade e ludicidade?! O grupo transita entre a sombra da brincadeira e o brinquedo. Ora denso, como as cenas inspiradas na crueza do Baixio das Bestas, ora leve, como os caboclos que dançam com lanças e roupas tão pesadas. Ora colorido e vibrante, ora negro e violento. O Maracatu é milagre que une a guerra e a dança, a dor e a alegria, a brincadeira e a seriedade...e por aí vai...até onde não sabe(re)mos...

O resto do encontro foi momento de alimentar nossas almas com fotos e vídeos desse universo e, ao final, nos juntamos para cantar a música escrita por Vânia e descobrir novas formas de entoá-la. Também começamos a discutir e vislumbrar frutos desse processo...vamos aguardar!

                                                                           Andressa Hazboun


Registro realizado no Engenho do Cumbe
Maracatu Cambinda Brasileira (Fev. 2011)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"A MENINA DANÇA" / Terceiro Encontro - Cravo do Canavial: O Processo (UFRN)

O nosso terceiro encontro foi muito engrandecedor. No inicio, limpamos nossas almas abrindo nossos chacras da cabeça, do peito e da bacia para harmonizar nosso corpo e receber os trabalhos. E uma energia nova foi sendo construída, crescendo no corpo e com o corpo de cada um. Bem depois, já estávamos cansados e exaustos, entretanto com uma nova energia, pulsante, viva e intensa pronta para a brincadeira do Maracatu, as movimentações da brincadeira transformaram-se e ganharam vida no corpo de todos.
A energia construída na brincadeira se opôs a energia do filme Baixio das Bestas, assistido por nós. A energia do filme é pesada, densa. O complicado foi transformar essas duas energias nos exercícios propostos, mas elas foram se diluindo.
Criamos, juntos, a melodia de uma música, escrita por uma das integrantes do grupo! Esse encontro foi muito produtivo, cada dia estamos mais juntos!
Terminamos leves, como pássaros, livres! Prontos para voar e criar muito mais! Como vários pássaros que sobrevoam seus enormes canaviais, cheios de surpresas e histórias.
“E se você fecha o olho
A menina ainda dança.
Dentro da menina
Ainda dança
Até o sol raiar.”
                                             (Novos Baianos- A menina Dança)
Essa música foi escolhida por um integrante do grupo no final do encontro. E, é esse o espirito contagiante da brincadeira do Maracatu, mesmo esgotados, dançaríamos e cantaríamos ainda mais!
Que venha a nova etapa do processo, estamos livres e prontos para ela!
                                                                                         Tatiane Tenório

CRAVOS Em Processo...





domingo, 2 de outubro de 2011

Relato sobre o Segundo Encontro - Cravo do Canavial (UFRN)




Iniciação
Pronto!
E o resto da lasquinha de pele de pé se vai!
Sinal de trabalho corporal iniciado!
Sensação boa de fervilhar de idéias e corpo ativado.
Será que vou dormir essa noite?
Vou sonhar em ritmo de Maracatu!
E olhe que é só o começo!

Final de encontro e todos ofegantes, suados, extasiados. O fôlego havia ficado ali naquela sala, entre os passos aprendidos, divididos e compartilhados.
Ficou lá na construção improvisada de ações, no eco das falas.
Apareceu de tudo, de coronéis a malandros espertos, uns sofridos e, outros, guerreiros brabos. Todos em direção a sincronia do movimento com a alma.

Chego na sala e penso, hoje vai ser melhor ainda!
Maravilha de Oficina!
                                                                                                                    
                                                                                                      Potyra

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Os Cravos de um Canavial...


Mariana, George, Rodrigo, Robson, Marco, Carla, Thais, Aldemar, Tatiane, Paul, Vânia, Potyra, Zeca e Andressa

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Relato sobre o Primeiro Encontro - Cravo do Canavial (UFRN)

Nosso primeiro encontro foi um encontro com nós mesmos. Antes de entrarmos em contato com os movimentos e o estudo do maracatu propriamente dito, tivemos um momento anterior a isto tudo, um primeiro momento de conhecer este grupo e nos sintonizarmos.
Fizemos alguns exercício e jogos que fez com que nos aproximássemos, criando um estado propício à brincadeira. E essa brincadeira, começo a entender, é algo essencial para o maracatu rural.
Tivemos um primeiro momento em que despertamos nossos corpos. Um instante de aquecimento. E depois fizemos um trabalho de pré-expressividade. A partir daí passamos a trocar com os outros. E as brincadeiras foram surgindo e contagiando.
Andamos em bolo, todos juntinhos, tendo um de nós como guia, o que ia se alternando. Brincamos de nos dividir em grupos, variando o número de integrantes. Dançamos, cada um entrando na roda e chamando um outro. Brincamos com os cabos de vassoura que havíamos levado, descobrindo novos significados para eles.
Fomos criando um estado de jogo em que os olhares e os contatos foram se tornando confidentes, e que, ainda que muitos já se conhecessem de outros momentos, passamos a construir uma nova relação. E a cultivar uma energia comum.
É verdade que esse nosso brincar é diferente do gozado pelos senhores que dançam o maracatu, afinal, era a nossa maneira de brincar, mas também sinto que de alguma forma também era similar, ou melhor, havia uma equivalência entre o que experimentamos e o que vivenciam aqueles senhores que dançam o maracatu, como nos explicou Carla.
Após criarmos esse estado, nos voltamos para nossa história individual. Carla havia nos pedido que levássemos um objeto que fosse precioso para nós e que fizesse parte da nossa história de pele. Mergulhamos na nossa história para trazer, através de movimentos, as lembranças impregnadas nestes objetos.
No meu caso, um bibelô da minha tia, que ficava no quarto dela. Minha história, minha família, minha infância, minhas férias na casa dos meus avós em João Pessoa, as brincadeiras, a luz do sol na sala ao fim da tarde, as comidinhas deliciosas, o pastel de carne, a louça da cozinha...
E uma vez construído movimentos a partir dessas memórias, nos voltamos aos demais, deixando que esses movimentos encontrassem os movimentos dos outros colegas, mas sempre mantendo o contato com o trabalho inicial, nos voltando constantemente ao objeto que levamos. Como para aqueles cortadores de cana, o maracatu faz parte da história deles desde a infância, para nós, na mesma idéia de equivalência, aqueles objetos nos remetem a nossa história.
Após tudo isso, paramos para conversar, esclarecer algumas questões, colocar dúvidas, compartilhar experiências e sensações.
Ah, não poderia deixar de registrar: Carla nos indicou que num dos cantos da sala de trabalho, num local marcado com um “x”, teríamos um lugar para nos expressarmos livremente a qualquer tempo. Podíamos cantar, contar uma piada, falar um texto de teatro, falar o que quiser. E todos teriam que parar para observar o que fosse feito naquele lugar. Alguns de nós experimentaram esse lugar. Um lugar e um momento de liberdade. De certa maneira, este espaço tão especial me pareceu um contraponto com os exercícios que fizemos, nos quais de alguma forma havia um direcionamento. Esse lugar me despertou. Aquele “x” mexeu comigo.
George Rocha Holanda


                                                                       

quarta-feira, 21 de setembro de 2011



ABRIMOS HOJE O TERREIRO DA BRINCADEIRA...

PROCESSO COM ATORES DE NATAL E ALUNOS DA UFRN


Abaixo registro do Maracatu Rural Cambinda Brasileira, em fevereiro de 2011.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011


Um contato quase trágico, o meu, com o Caboclo de Lança...
E se deu nas ladeiras de Olinda no carnaval de 1992, durante o cortejo de um Maracatu Nação,
Manifestação Popular que, diferente do Rural, tem sua origem vinculada à coroação dos Reis do Congo, sendo desdobramento das Congadas. Eu participava do desfile na ala das baianas. De uma hora para outra, tivemos que abrir passagem para algumas “figuras desgovernadas” que desciam a ladeira com uma espécie de cravo na boca, dançando de modo aparentemente desconexo e portando lanças enormes, cheias de fitas e bastantes pontiagudas, diga-se de passagem. Em sinal de respeito, nosso Cortejo abriu espaço para o desfile daquele grupo de Maracatu Rural, visto por mim, na época, com estranhamento. Aqueles Caboclos evoluíam com tamanho entusiasmo, força, exuberância que me deixaram hipnotizada por alguns instantes. Tempo suficiente para não perceber que o meu recuo não havia acontecido e por isso quase me vi com uma lança daquelas “enfiada no bucho”. Lança que, anos mais tarde, um Brincador conhecido como Seu João me cedeu gentilmente para que eu pudesse segurar e averiguar seu peso. Pesada, realmente! Ao perguntar o porquê de aos 84 anos continuar brincando Maracatu, o mesmo Seu João me fez entender o significado e a seriedade que envolve essa misteriosa brincadeira:
“O Maracatu é minha vida. A única coisa que eu quero quando morrer é continuar dançando Maracatu no céu.”